Ecos do Grito N.º 64

Informativo nº. 64 – Setembro/2007

“Isto não VALE! Queremos Participação no destino da Nação”.

Olá articuladores/as do Grito!

Os informes dos Gritos que aconteceram por este brasilsão, continuam chegando, mas damos espaço nesta edição para notícias que estão disponíveis na internet (blog pessoal), imprensa alternativa e dos/as companheiros/as articuladores/as do Grito. Vejamos o poema de Ana Amélia Cordeiro de Montes Claros/MG:

“Olá meu povo do Grito nacional, eis que trago as boas novas do norte, atrasado porque o negócio tá indo de trem! Mas aqui é o sertão! Sertão maravilhoso, ser tão norte mineiro. Sertão onde o povo busca ser tão livre como os tatus nas veredas, ser caboclo que alimenta-se do sertão. Sertão do pequi, do buriti, ser tão nosso! Ser tão encantador! Ser tão divino! Ser tão perfeito, ser tão mineiro, tão geraiseiro, ser tão límpido como as águas que aqui brotam, ser tão gostoso, tão doce feito jabuticaba. Ser tão sertanejo, uai, assim como nós.”

Aqui vão alguns ecos do Grito, pelo Brasil, que já chegaram

SUL

Passo Fundo/RS: O Grito aconteceu no dia 1/09, com o V Calçadão da Solidariedade, na Paróquia São Judas Tadeu, que contou com exposições de trabalhos alternativos, feira de produtos ecológicos, experiências alternativas de inclusão social, apresentações artísticas e com a coleta de votos para o Plebiscito.

Blumenau/SC: Cerca de 200 pessoas participaram do desfile dos/as excluídos/as, pela Rua XV de Novembro, com muitas faixas e frases, contra a venda da CVRD, contra os baixos salários e pela regularização fundiária do município.

Tubarão/SC
: O Grito dos/as excluídos/as contou com a participação do Grito dos skatistas, que por muitas vezes são excluídos pela sociedade.

Umuarama/PR: Realizaram uma celebração de inclusão, chamada de “Grito de Inclusão”, na Paróquia São Paulo Apóstolo. No momento do ofertório da celebração, os Paróquias que participaram ofertaram projetos de inclusão social. Ao final da celebração, coletaram os votos do Plebiscito e terminaram com um café de partilha, com apresentação de um grupo de capoeira. Realizaram também o Plebiscito nas Paróquias do Alto Paraíso, Umuarama, Perpétuo Socorro, Paróquia São Vicente Pallotti, São Paulo e São Francisco de Assis.

Curitiba/PR: A caminhada teve início no Parque Metropolitano, na entrada do município de São Jose dos Pinhais, passando pela aldeia Kakanã Porá, onde vivem 35 famílias (180 pessoas) pertencentes às etnias Caingangue, Guarani e Xetá. Os índios apresentaram a dança da Mãe Terra, um ritual de preparação para a guerra e a inclusão das três etnias, prosseguindo pelas Vilas Icaraí e União, com a realização de atos nas duas vilas para mostrar o descaso do poder público com os moradores da região e mobilizar a comunidade para a luta por melhores condições de vida.

SUDESTE

Marília/SP: A concentração do Grito foi em frente ao Teatro Municipal com muita música. Um grupo de jovens da Paróquia Santa Rita de Cássia fez uma encenação abordando a realidade da exclusão no país. A seguir, iniciaram uma caminhada até a Igreja Matriz de Santo Antonio, onde realizaram uma celebração e, ao final,fizeram uma encenação, questionando a incapacidade de reação da sociedade em relação às privatizações feitas no país.

Campinas/SP: Cerca de 3 mil pessoas participaram do Grito, após a passagem do desfile oficial , o bloco entrou na Av. Francisco Glicério (Centro), desde o largo do Pará até o Largo do Rosário.

Rio Claro/SP: Concentração na Praça da Liberdade, onde gritaram pela cidadania, democracia e ética e protestaram contra aqueles que envergonham a democracia.

Bairro Muquiço/RJ: Reuniram-se em frente à Igreja Católica, onde fizeram uma roda de conversa sobre o Que é o Grito dos/as excluídos/as para o Povo das Favelas e Periferias Brasileiras, uma atividade cultural com Exército de Palhaços, apresentação do Filme entre Muros e Favelas e finalizaram com um show de Hip Hop, com o Grupo de N´Atitudes Mcs e Música Afro-Brasileira, com a Banda Batuque JAH do Centro Social Futuro Feliz do Conjunto Habitacional Amarelinho de Irajá.

Montes Claros/MG: A atividade do Grito começou com uma celebração, presidida pelo Arcebispo da cidade, que reforçou a necessidade der sairmos às ruas e manifestar contra o que impede de ter vida em abundância, que precisamos ser fermento, sal, e ser testemunho em defesa dos mais pobres e disse não ao projeto da Transposição do Rio São Francisco. Depois, os participantes saíram em caminhada em direção ao desfile oficial da independência, com aproximadamente 2 mil pessoas, onde realizaram o palanque do povo, quando os grupos, pessoas, entidades manifestaram o seu grito pela avenida e muitos que estavam na platéia foram para manifestação, gritaram não à transposição do Rio São Francisco, à questão política do Estado e do Município. Um grupo de crianças tocou tambores e latas velhas para fazer atividades musicais, como forma de sair da criminalidade.

Mariana/MG: A Arquidiocese de Mariana, realizou o Grito na cidade de Congonhas, com a concentração na Praça Nossa Senhora da Conceição, caminharam em direção à Praça Bom Jesus, onde encerraram com uma celebração que reuniu mais de 3 mil pessoas. As Pastorais Sociais da Arquidiocese assumiram também a realização do plebiscito popular pela anulação do leilão da CVRD.

Viçosa/MG: O Grito marcou um momento de unidade dos Movimentos Sociais da região e finalizou a programação do II Seminário de Questão Agrária e a abertura do IV Encontro do Programa Teia.
Ecoaram gritos, por saúde, educação, emprego, moradia, segurança, autonomia, dignidade, soberania, democracia direta e participativa.

CENTRO OESTE

Mato Grosso: O plebiscito popular ocorreu em 61 municípios do Estado, onde coletaram 67.360 votos. Em Cuiabá, foram 13.108 que votaram. Do total de votantes no estado, 96,18% se posicionaram favoráveis à anulação da privatização; 93,19% pessoas votaram pelo não pagamento das dívidas interna e externa; 97,09% votaram a favor que a União reveja o modelo da cobrança da tarifa de energia e 97,74% não querem reformas da previdência e trabalhista.

NORTE

Belém/PA: A atividade começou com ato ecumênico na Av. Pedro Miranda, em frente à igreja Nossa Senhora de Aparecida, seguiu até a Aldeia Cabana, passaram em frente ao palanque oficial e se manifestaram com relação às políticas públicas, reestatização da Companhia Vale do Rio Doce, sobre os temas da reforma da Previdência, Dívida externa e taxa de energia elétrica.

Boa Vista/RR: Os protestos foram realizados nos bairros afastados do Centro. A concentração foi na Praça Germano Sampaio, no Pintolândia, passando pelo bairro Silvio Leite, depois pelo Cambará, Santa Teresa, Nova Canaã e retornando ao local onde começou o protesto. Ao total foram 4 km de caminhada, participaram grupos indígenas, Yanomami da região do Canauami, os Macuxi e Wapixana; produtores rurais, sindicalistas e movimentos estudantis.

Manaus/AM: O Grito foi na Av. Itaúba, onde aglutinou diversos grupos que vieram de inúmeras comunidades de Manaus, com apresentação musical do grupo de Hip-Hop, Jovens da Periferia, da Comunidade Santa Clara. O movimento de catadores e o conselho municipal dos direitos da mulher também soltaram seus gritos.

NORDESTE

Cipó/BA: O desfile aconteceu ao som da banda dos Quilombolas, dando destaque às faixas que diziam o que valia e o que não valia à vida da nação brasileira, com a participação de cerca de 100 pessoas.

Feira de Santana/BA: O Grito aconteceu na Rua Presidente Dutra, a caminhada teve início depois do desfile oficial, os grupos dos movimentos populares e sociais reivindicaram o direito à cidadania, à participação na tomada de decisões nos poderes municipal, estadual e federal e a reestatização da CVRD. A frase do manifestante Zé Neto, sintetiza bem o significado do Grito: “Manifestações como essas mostram que não se pode calar a voz da sociedade, e o Grito dos/as excluídos/as é uma grande manifestação pela cidadania. Só o grito do povo, unido na construção do Brasil que queremos, será capaz de nos libertar da dependência e do descaso”.

Itamaraju/BA: Cerca de 5 mil pessoas participaram do Grito e paralisaram por 2 horas a BR-101, no Km 808 na altura do Bairro Alvorada. Dentre os gritos estavam a melhoria da Rodovia no Trecho Itamaraju/Teixeira de Freitas, construção da ponte do Jundiá e a construção da Rodovia Federal que liga Itamaraju a cidade de Almenara no norte de Minas. Contudo, no dia 04/09, a procuradora federal, Ivana Reina, impetrou uma ação chamada Interdito Proibitório, na justiça federal de Eunápolis, para impedir a manifestação do Grito, sob a alegação de que a rodovia é um bem público e que causaria prejuízo aos motoristas, mas, o Juiz Hallisson Rego Bezerra indeferiu o pedido, entendendo que a rodovia trata-se de bem público, e todo movimento pacífico e social realizado em local público tem garantido aos seus participantes o direito de manifestação e expressão, assegurados na Constituição Federal.

Ribeira do Amparo/BA: Mais de 170 pessoas a maioria jovens, gritaram que não querem só votar, mas sim participar da vida do país. Na caminhada, houve seis paradas e denúncias acerca da corrupção existente na cidade “Queremos Ribeira Livre da Corrupção, Ribeira tem jeito, depende de nós”, o resultado foi a cassação do Prefeito, depois de decisão judicial do Juiz Eleitoral.

Salvador/BA: Dentre os participantes do Grito dos Excluídos, participou, pela primeira vez, o Fórum Baiano de Combate à Tuberculose e realizaram a primeira manifestação pública com a distribuição de um manifesto, conclamando a população a aderir à luta contra a tuberculose. O Estado ocupa o 3º lugar entre aqueles com maior número de casos.

Itaporanga/PB: Na noite do dia 06/09, realizaram a tradicional Missa da Pátria. No dia 07/09, na Paróquia Nossa Senhora da Conceição, pertencente à Diocese de Cajazeiras, realizaram pela primeira vez o Grito, manifestaram a indignação quanto ao problema da falta de água em alguns bairros da Cidade e reivindicaram a construção de uma adutora.

Agende-se:
05/10 – Reunião (Avaliação) da Coordenação Nacional do Grito – SP
08/10 – Coletiva Nacional para divulgação dos números do Plebiscito da Vale – DF
– Atos e divulgação do plebiscito nos Estados
09/10 – Entrega dos resultados do plebiscito aos 3 poderes e Ministérios correspondestes, em Brasília

Não se esqueçam: Mandem informações de como foi a realização do Grito em sua região, para o próximo Ecos.

Expediente
Secretaria Nacional do Grito dos Excluídos Tel. (11) 2272-0627
Ari Alberti, Karina da Silva Pereira, Maria Goretti Rodrigues
Correio eletrônico: gritonacional@ig.com.br / gritonacional@terra.com.br
www.gritodosexcluidos.org

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