Ecos do Grito Nº 25

Informativo nº. 25 - Setembro/2005

BRASIL, EM NOSSAS MÃOS A MUDANÇA!

Olá, Animadores/as do Grito dos /as Excluídos/as

Em tuas mãos, nas nossas mãos, as mudanças! Mãos que se entrelaçam na luta por pão, justiça e igualdade. O Grito dos/as Excluídos/as ecoou de norte a sul do Brasil, reunindo as mãos calejadas de todos/as que se dedicam, no cotidiano, à árdua tarefa de construir um projeto popular para o nosso país. Mãos de desempregados, mulheres, meninos, aposentados, jovens, índios, migrantes etc. Enfim, do povo que todos os anos, na semana da pátria e no dia da independência, vai às ruas expressar sonhos, lutas, desejos, utopias…. Parabéns a você, a nós, a todos/as que doamos as mãos na construção de um mundo melhor.

A EXCLUSÃO SE MANTÉM

Nas principais capitais do país, mais de 200 mil pessoas “gritaram” contra a exclusão social e a atual política econômica, concentração de renda e a corrupção. Todos motivados pelo lema “Brasil, em nossas mãos a mudança!”.

De acordo com dados da ONU publicados no dia 7 na imprensa, a renda do brasileiro caiu mesmo com a elevação do IDH de 0,790 para 0,792. Outro índice da ONU é o Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (Pnud), que mostra que 10% dos brasileiros mais ricos ficam com 46,9% da renda do país, enquanto os 10% mais pobres ficam com apenas 0,7%. Apesar de o Brasil ter uma renda per capita três vezes maior que a do Vietnã, a população mais pobre do país consegue ter apenas a mesma renda dos vietnamitas mais pobres. Dados como esses dão sustentação ao movimento, que há 11 anos mobiliza a sociedade civil organizada.

GRITOS DE NORTE A SUL DO PAÍS – NÚMEROS PARCIAIS
Estamos ansiosos para divulgar os informes do Grito de sua cidade! Envie-os para a secretaria do Grito!!!

No Amapá, a cidade de Macapá viveu um Grito animado com a participação de 700 pessoas entre familiares de presos, egressos, portadores de deficiência, crianças, além das pastorais e movimentos. Houve uma celebração com coreografia e aumentou o nível de participação popular.

Na Bahia, em Salvador, cerca de 30 mil pessoas participaram do Grito, animados por dois trios elétricos que ressoavam os gritos por ética na política e contra a corrupção. Em Itabuna houve uma concentração de 500 pessoas e uma passeata na Av. do Cinqüentenário com panfletagens durante o desfile oficial, apresentação cultural, depoimentos e denúncias de casos de exclusão social no sul da Bahia.

No Ceará, em Fortaleza, o Grito concentrou 15 mil pessoas na Barra do Ceará e a animação estava com todos vindos de diversas comunidades e bairros da cidade. Seis excluídos/as com falas intercaladas com cantos e palavras de ordens denunciaram todo o tipo de exclusão. Contra a corrupção e a violência. Vários sujeitos sociais como mulheres, desempregados, catadoras de materiais recicláveis e sem teto foram escutados com esperança.

No Distrito Federal o Grito foi na Esplanada dos Ministérios e a concentração foi a ao lado da Catedral de Brasília.As entidades realizaram uma celebração ecumênica com cerca de 800 participantes. As palavras de ordem foram: pela retirada das tropas brasileiras do Haiti e medidas contra a corrupção. Na parte da tarde houve outra manifestação do Grito, na Estrutural, com 300 pessoas.

Em São Luís, Maranhão, centenas de pessoas de vários movimentos, pastorais, paróquias, comunidades, entidades, sindicatos, parlamentares e organizações de base, participaram do Grito dos/as Excluídos/as. O Grito em São Luís teve como eixos a luta contra a instalação do Pólo Siderúrgico na ilha de São Luís que desapropriaria 14.400 pessoas que vivem e trabalham na área pretendida pelo projeto. Com a palavra de ordem: Vida Sim, Pólo Não… a caminhada teve vários confrontos com o batalhão de choque da polícia militar que barrou mais de uma vez os manifestantes. O Grito contribuiu para despertar a necessidade de mobilização permanente frente ao momento atual.

Em Cuiabá, no Mato Grosso, aproximadamente 2 mil pessoas participaram de uma caminhada com blocos temáticos: mãos que lutam por justiça, mãos que constroem e trabalham, mãos que excluem… essa atividade foi o encerramento da Semana da Cidadania.

Em Minas Gerais, na Arquidiocese de Mariana, na cidade de Congonhas, 2 mil pessoas participaram do Grito dos Excluídos. Caravanas de várias cidades se concentraram às 9:00 horas em frente à igreja matriz da Imaculada Conceição. A “Bandeira da roça”, de Senhora dos Remédios, ajudou com a riqueza de sua tradição cultural. Uma novidade deste ano foi a incorporação da caminhada do Grito no desfile cívico da cidade de Congonhas. O desfile das escolas foi interrompido para a passagem do Grito.

Na cidade de Montes Claros após a concentração na Praça Dr. Carlos (Praça da Matriz) e a caminhada até a matriz, com paradas estratégicas, mística e reflexão sobre a realidade de exclusão social do povo norte-mineiro, foi feito o “palanque do povo” na Praça da Catedral.

Em Belo Horizonte O evento foi realizado na Praça Ruy Barbosa (Praça da Estação Ferroviária), com concentração às 9:00 horas. Ao som de grupo de tambores e bandeiras coloridas, os animadores convidaram os presentes a resgatar o valor cultural e popular da Praça com muito canto, mística e tambores. A marcha saiu às ruas e ganhou a avenida Afonso Pena onde aconteceu o desfile militar. O colorido, a diversidade, o movimento e a troca de experiência deram visibilidade às conquistas e avanços do trabalho e organização, um estímulo a uma maior organização e articulação para a construção de um novo Projeto para o Brasil. Segundo os organizadores, participaram do Grito cerca de 4.000 pessoas. De 01 a 07 de setembro foi realizado o debate proposto pela 4ª Semana Social Brasileira, na Arquidiocese de Belo Horizonte.

No estado de Minas Gerais também ocorreram Grito dos Excluídos em várias Dioceses como: Divinópolis - Governador Valadares - Janaúba -Leopoldina - Pouso Alegre - Paracatu - Juiz de Fora.

Na Paraíba, João Pessoa - Cerca de 4 mil pessoas de diversos movimentos sociais participaram do Grito fazendo uma caminhada nas ruas centrais da cidade, no dia 06 de setembro. Em Campina Grande, a concentração começou por volta das 14h, no largo da Catedral de Nossa Senhora da Conceição, onde um carro de som anunciava o tema deste ano e chamava a atenção dos participantes que somavam 2 mil pessoas. A caminhada percorreu a Avenida Floriano Peixoto, seguindo pela Maciel Pinheiro, 7 de Setembro, Marquês do Herval e terminando na Praça da Bandeira, onde foi realizada uma apresentação cultural da Organização Não-Governamental Menina Feliz, com coreografias e leitura de poesias. Entre os participantes estavam desempregados, integrantes dos movimentos dos sem-terra e sem-teto, idosos, grupos de jovens, religiosos, portadores de necessidades especiais e membros do movimento negro, entre outros.

No Paraná, na cidade de Curitiba o Grito aconteceu de forma centralizada, durante o desfile cívico na rua Candido de Abreu, e contou com a presença de militares que reivindicavam reajuste salarial.

Rio de Janeiro – Na Av. Presidente Vargas esquina com Uruguaiana, houve uma concentração com estudantes, sindicalistas, trabalhadores, familiares de presos, jornalistas e os índios pataxós de coroa vermelha que estão impedidos de vender seu artesanato. Todos com manifestações contra a guerra, contra o imperialismo, contra a Alca, contra a corrupção, seguindo em passeata pela avenida. “Chega de chacina, Polícia, assassina” foi o grito mais forte que se ouviu e uma alegoria do caveirão, carro da PM que aterroriza os moradores de favelas e já se transformou no novo bicho-papão de crianças e adultos, foi o abre-alas da passeata e o primeiro símbolo a ser incendiado pelos manifestantes.

Rio Grande do Norte – Na capital Natal, houve celebração em toda a arquidiocese no dia 07/09 sobre o grito. Em Mossoró, o Grito foi realizado com a presença de 200 pessoas. No início do desfile, a polícia militar tentou impedir a marcha do grito, como aconteceu nos anos anteriores, mas dessa vez com uma ação mais repressiva. Dois companheiros acabaram presos por algumas horas. Continuamos a marcha, já com pouca gente nas ruas. Foi realizado um protesto em frente ao palanque das autoridades. Encerramento do ato em frente ao Shopping Boulevard, com oração e a música do MST “esse é o nosso país”. Logo após, a conclusão foi na Paróquia Nossa Senhora da Conceição, com uma feijoada.

Roraima – Em Boa Vista, foi realizado o Grito dos Excluídos. Com ênfase nos migrantes e povos indígenas. Na cidade, Mais de 128 mil pessoas sobrevivem com menos de um salário mínimo por mês.

Santa Catarina – Na capital Florianópolis, o povo indígena Guarani se fez presente nas atividades do Grito. Carregando faixas pedindo terra, vida e respeito. Percorreram a “passarela dos desfiles” com mais de 300 pessoas dos vários segmentos sociais representando os excluídos, como donas de casa, sem terra e sofredores de rua. A campanha pela demarcação da Terra Indígena Morro dos Cavalos esteve presente. Foi denunciada a omissão total do Ministério da Justiça em assinar a Portaria Declaratória da referida terra. Os manifestantes enfrentaram a truculência da Polícia Militar que tentou impedi-los de participar das atividades. A tropa de choque fez um cordão de isolamento para impedir que os manifestantes desfilassem pela avenida. Um grupo de manifestantes fechou a ponte que liga a ilha ao continente, obrigando a tropa de choque desobstruir o caminho da passarela para liberar a ponte. Somente dessa forma foi possível a manifestação na avenida.

Em Blumenau, mais de 500 pessoas participaram do Grito na manhã de 7 de Setembro. Trabalhadores, lideranças sindicais, estudantes, representantes dos movimentos de: Fábricas Ocupadas, Passe Livre, apoio à Palestina, movimentos sociais e várias outras organizações populares da região.

Sergipe – Na capital Aracajú, mais ou menos 5 mil pessoas marcharam no centro da cidade no dia 6/9. Já no dia 7, após o desfile oficial, mais de 5 mil pessoas fizeram um “arrastão”.

São Paulo – Na cidade de São José do Rio Preto, o Grito foi realizado no dia 07/09 junto com o desfile da independência. Com cartazes, faixas, camisetas, performance teatral e carro de som, aproximadamente 250 pessoas foram a avenida. É o nono Grito consecutivo na cidade. O Grito também marcou presença na cidade de Nova Aliança, com uma celebração.

Em Aparecida, 100 mil romeiros/as compareceram ao santuário para as manifestações do Grito e Romaria dos Trabalhadores. A missa principal foi celebrada durante a manhã pelo arcebispo de Aparecida, Dom Raimundo Damasceno, e durante a cerimônia ele lembrou da crise política. Os manifestantes fizeram uma caminhada de dois quilômetros, partindo do Porto Itaguaçú, onde a imagem de Nossa Senhora foi encontrada, até a basílica. No pátio, os romeiros fizeram uma manifestação por justiça, igualdade social, por mudança na política econômica e pelo fim da corrupção.

Já na capital São Paulo, 8 mil pessoas participaram do ato em dois protestos diferentes. Do Vale do Anhangabaú, jovens (moradores de rua, estudantes e sindicalistas) saíram empunhando cruzes de madeira e velas. Cruzaram o centro da cidade e pararam diante do prédio da Secretaria de Segurança Pública. Na mesma hora, na Catedral da Sé, uma missa marcou o início de outra manifestação. O bispo auxiliar de São Paulo, Dom Pedro Luiz Stringhini, conduziu a celebração. Logo após, os grupos se encontraram no Monumento do Ipiranga, onde foi concretizado o Grito.
Na 2ª feira dia 05/09, um grupo das comunidades e movimentos da Região de Brasilândia saiu em caminhada do km 24 da via Anhanguera, pelos bairros com vários gritos.
No dia 06/09, a noite fizeram vigília na Praça da Sé, onde juntaram-se ao grupo da diocese de Santo André. Dormiram na praça e participaram do Grito no dia 07/09 no Ipiranga.

Tocantins – Na capital Palmas, aconteceu o Grito no dia 7, logo após do desfile oficial. Um grito que tentaram abafar, com a polícia mandando desligar os microfones etc. Mas mesmo assim, o povo panfleteou e distribuíram o manifesto em defesa do povo brasileiro, símbolos em forma de mãos que se comprometem com a mudança da nação, e desfilaram com faixas e cartazes. Participaram do ato cerca de 2 mil pessoas.

Uma voz que não se cala

Basta de corrupção e punição aos corruptos e corruptores, por mudança na política econômica, auditoria pública das dívidas externa, retirada das tropas brasileiras do Haiti..

Nossa voz ecoa de norte a sul do país, especialmente no dia 07 de setembro. Apesar da propaganda da estabilidade econômica, do crescimento das exportações, saldos da balança comercial, do PIB, a pobreza, a miséria e a fome não diminuem porque, a riqueza e a renda ficam cada vez mais concentradas como vimos nos dados divulgados pela ONU. Por isso, gritos continuam a ecoar em defesa da vida, com igualdade e justiça. Cada vez mais forte é o desejo de resgatar a esperança, o ânimo das pessoas para a organização, mobilização e mudanças profundas no país. Pela soberania nacional e uma verdadeira independência!

Agende-se:

12 de Outubro - Realização do Grito dos Excluídos Continental (22 países)
23 de Outubro – Referendo sobre desarmamento / Quais as causas da violência?
25 a 29 de Outubro – Assembléia Popular e Mutirão por um novo Brasil (Brasília)

Expediente
Secretaria Nacional do Grito dos Excluídos Tel. (11) 272-0627
Ari Alberti/ Karina da Silva Pereira/ Maria Goretti
Correio eletrônico: gritonacional@ig.com.br

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