Gritos do dia a dia

Dom Guilherme Antonio Werlang, Presidente da comissão 8/CNBB: “Se todos somos iguais perante a lei, o Estado deveria garantir isso..” e “..O Brasil já nasceu um estado que serve a interesses particulares. E nós temos que mexer na estrutura desse Estado”

Vera Lucia, Curitiba/PR, Presidente da associação de moradores 23 de agosto: “quando começa a luta pela moradia a gente luta também pela saúde, educação, saneamento básico, contra as drogas, estamos vendo a juventude morrer e ninguém faz nada para isso”.

Dom Tomas Beduíno, Goiânia/GO encerrou o ato dizendo “a luta há de continuar sempre enquanto houver excluídos e excluídas”

Maurício Santos, Belém/PA: “As populações locais e os índios não foram sequer ouvidos durante o processo de instalação em Belo Monte. Todas essas contradições favorecem as batalhas judiciais. Uma prova é que a Justiça também faz esta mesma avaliação”

Padre Kelder, da Arquidiocese de Vitória/ES: “O Grito do Excluídos é uma forma de denunciar as diversas injustiças existentes dentro da sociedade e que levam milhões de pessoas à exclusão social.”

Adahyr Cruz/CONIC, Pastor da Igreja Metodista: “o evento representa a força e a fé do povo brasileiro, são 18 anos apoiando esta causa. Como cristãos temos o compromisso de defender os direitos do povo de Deus. Não podemos esquecer que a mudança, depende do desenvolvimento dos povos. Estamos unidos em busca do novo e queremos uma sociedade mais justa. E esse desejo, extrapola todas as barreiras religiosas”.

Jean Nunes, Fórum LGBT: “Queremos mostrar, também, que gays, lésbicas, travestis e transexuais capixabas ainda precisam caminhar muito para termos nossos direitos representados”.

Watuíra Antônio, Presidente da CUT da Zona da Mata/Juiz de Fora/MG, Itambacuri/MG:  “O ato foi uma oportunidade de sermos ouvidos, de reivindicarmos nossos direitos e também uma forma da sociedade nos enxergar. Se não gritarmos e batermos no Governo, ele não se mexe pra garantir o que é nosso por direito”.

Rosangela Santos, do Movimento Popular de Saúde (Mops): “A gente não podia deixar passar em branco esse 7 de setembro e dizer para a sociedade civil, para todos trabalhadores que esse dia não é uma data civil a ser comemorada, mas é uma data de luta e que ainda falta muito para conquistarmos essa independência e essa liberdade”.

Maria Inês Marcelino da Rede Educação Cidadã, Maceio/AL: “Em todo Brasil esse é um dia de luta, um dia de mostrar nossa indignação com essa sociedade capitalista e gritar por uma sociedade, de fato, democrática, participativa e popular”.

Silvia Dantas do Fórum de Mulheres, Recife/PE: “Estamos aqui para reivindicar direitos iguais. Enquanto uma mulher morre vítima de violência, miséria ou fome, estaremos lutando”.

Valmir Assis, do Fórum Dom Hélder Câmara: “O estado se apropria de meios para dizer à sociedade que as lutas são criminosas. Estamos aqui dizendo, há dezoito anos, que ainda não somos independentes”.

Rayane Andrade, Mossoró/RN, da equipe de divulgação: “Mas são nossos gritos: O grito por moradia da comunidade do Tranquilim, grito do Jucuri, Grito da Educação, Grito dos Agricultores, dos desempregados, da juventude e o grito das familias de Apodi contra o projeto do Departamento Nacional de Obras contra a Seca (DNOCS), que ameaça expulsar famílias para beneficiar empresas do agronegócio”.

Carlos Antonio da Silva, da organização do Grito: “O que queremos é uma sociedade fraterna e igualitária, e este ano estamos questionando o papel do Estado, para que este esteja a serviço das necessidades básicas da população, e não movido pelo lucro e pela acumulação de capital.”

Elisa do Nascimento, Fortaleza/CE, Catequista da paróquia N. S. de Salete: “Meu grito é de indignação. Eu clamo por uma saúde de qualidade”.

Rita Cássia Aguiar, agente pastoral: “A comunidade do Barroso está precisando de mais segurança, além de educação e saúde. Essa manifestação é para mostrar que o povo não está de acordo com essa política”.

Maria Clara, estudante, 17 anos: “Nós devemos ser agentes de mudanças. O povo passivo se constitui na principal arma da corrupção”.

Carlos Humberto Campos, Teresina/PI, coordenador da cáritas: “Não troque seu voto por Água”. Ele afirma que há denúncias dessa prática em Picos, Oeiras e São Raimundo Nonato. “Esse ano, um dos focos do Grito dos Excluídos é a seca. Um milhão de pessoas no Piauí estão sem água e alimento. Ainda há comunidades que vendem seu voto por água. É uma vergonha”.

Grito em Montes Claros/MG

Histórico do grito em Montes Claros/MG, contada por Marilda de Souza Lopes, que participou de um grito em 1993.

Como nasceu o Grito? Estávamos no ano em que a Campanha da Fraternidade teve como slogan “Onde moras?”. O grupo Profeta Isaías e o grupo Juac fizeram visitas em várias favelas, dentre elas os moradores do lixão. Eram 26 barracos de plástico preto. Nas 26 famílias, havia muitas crianças e jovens. As crianças disputavam pedaços de carne que vinham no lixo dos restaurantes com os urubus que avançavam em suas mãos para tomá-los. Era um quadro inacreditável, só quem viu para crer. Tanta desumanidade clama a Deus!

Depois da visita, fizemos uma reflexão com jovens que foram. Era véspera de 7 de setembro, pensei nas fanfarras que desfilam no dia 7 de setembro e expus meu pensamento de fazer um clamor naquele dia (na parada cívica), fazermos um pelotão com o slogan da Campanha da Fraternidade. A idéia foi bem aceita. Geraldo, do Profeta Isaías, fez as casinhas de plástico preto. Kelly, Kênia, Noé e outros jovens organizaram o pelotão.

Ficamos com medo de enfrentar a polícia, corremos ao Padre Antônio Carlos que deu todo o apoio aos jovens e a nós. Na hora que o Colégio Dulce Sarmento entrou, nosso pelotão, com seus cartazes de manifestação contrária, aproveitou e chegou em frente ao palanque. Combinamos de não dizer nada. Somente mostrar os cartazes. As autoridades, que até então estavam recebendo aplausos, depararam com frases verdadeiras e francas. “O QUE VOCÊS ESBANJAM, FALTA PARA NÓS!!!”; “POLÍTICOS, SEU SALÁRIO É UMA AFRONTA AO POVO!!!” … e outras. A primeira dama sentiu mal e foi para a Santa Casa. No dia seguinte, 08 de setembro de 1993, a 1ª página do jornal narrou o fato. Padre Antônio recebeu uma carta desaforada do prefeito. Fato este que saiu até em um jornal de São Paulo.

Assim nasceu o Grito. Depois que chegou a Equipe Diocesana de Pastoral, recebeu o nome de GRITO DOS EXCLUÍDOS. Em 1993, foi apenas: “CLAMOR DOS SEM TETO”.

Foi no dia 07 de setembro de 1993 que nasceu o “GRITO DOS EXCLUÍDOS” na porta da igreja Nossa Senhora Aparecida do Major Prates, em Montes Claros, Norte Sertanejo de Minas Gerais.

NOTA – Irmã Marilda parabeniza todos os participantes pela coragem na 20ª edição do Grito dos Excluídos, em Montes Claros (MG). Marilda de Souza Lopes é religiosa em Montes Claros, Norte de Minas Gerais. Participou do primeiro Grito dos Excluídos, em 1993.

A Vida Acima da Dívida

REDAÇÃO – Daniel Augusto – vencedor concurso de redação sobre o Grito – Escola Renascer – Ipatinga/MG

Eu tenho só 11 anos e tem muita coisa na vida que eu não consigo entender direito. Uma delas é que se fala muito em direitos das crianças e dos adolescentes. Eu queria fazer tantas coisas na vida e não posso. Por que? Queria ir para a escolinha de futebol, para a natação, para aula de informática, ter um computador. Será que é pedir demais? Por que não posso?
Meu pai trabalha,minha mãe é professora, mas, o dinheiro que eles recebem não dá para nada. Tudo que eu peço fica para depois, para quando as coisas melhorarem. Mas quando?

Quando eu pergunto, meu pai responde que a crise ta feia… Que crise? Que o páis não cresce por causa da dívida externa. Que dívida? Quem deve? O que essa dívida tem a ver com a minha vida?

Eu fico preocupado porque todo mundo fala que a gente tem de se preparar pra conseguir um bom emprego no futuro. Eu concordo com isso, mas o que devo fazer se não consigo nada hoje, que poderá me ajudar no futuro? Será que só os meninos que têm pais ricos vão conseguir alguma coisa?

“Causo”

Enviado por Valéria- Lima Duarte (MG):

“E mais ainda foi ver a neta adolescente que após votar leu para a avó iletrada o que estava escrito na cédula e falando assim: “ce pensa bem vó, se eu pego um dinheiro emprestado sem falar nada c’ua sinhora e depois peço pro moço cobrar da sinhora, a sinhora acha certo? E sem fazer idéia donde eu gastei o dinheiro, a sinhora sem modi cumê em casa, eu só na festa e ainda mando cobrar da sinhora, ta certo? É assim que esse governo ta fazendo, então, é sim ou não pra essa dívida?

Daí a vó responde:

Deus nos livre, ansim nós fica inté desacoçuado de viver mia fia. Tem é que bota esses trem ruim pra correr”.

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